10 tendências na mira do CEO da VMware, Paul Maritz

Matéria originalmente publicada no site da CRN Brasil.

Como CEO da indústria da tecnologia, Paul Maritz é realmente tão despretensioso como aparenta ser. Ao invés de dar declarações bombásticas, Maritz prefere as resoluções tranquilas, mas extremamente eficientes, tornando-o o CEO perfeito para uma companhia que se tornou sinônimo de virtualização, mais do que qualquer outra empresa no planeta. A VMware está agora tentando apostar no mesmo sucesso da virtualização na dominância da computação na nuvem.

No meio de julho, a VMware passou por uma atualização da sua infraestrutura de cloud computing, e o ponto de inflexão agora é mostrar a parceiros e clientes essas alterações, e Maritz está ajudando a esclarecer as partes da nova estratégia que ainda não estão claras. A marcha para a computação na nuvem não vai acontecer do dia para a noite, mas Maritz está mandando uma mensagem muito forte de que o caminho está pavimentado e que não há mais barreiras técnicas impedindo a passagem. Os comentários a seguir foram extraídos de uma entrevista recente do executivo para a CRN EUA, feita durante o evento da companhia que aconteceu em São Francisco.

1. Sobre a consumerização

“Os negócios não podem evitar que as pessoas usem seus próprios dispositivos. Por outro lado, eles continuarão no gancho para se certificar de que eles estão operando em ambiente seguro e compatível, e que suas informações não serão comprometidas por uma versão hackeada de Angry Birds ou transmitidas para o Turquemenistão , ou seja lá o que for.”

“Você deseja permitir que os usuários tenham acesso a todas as coisas que trazem do mundo do consumo e ainda manter um ambiente seguro e compatível”.

 

2. Sobre o medo de estar na nuvem

“Computação na nuvem ainda é uma questão para as pessoas que não conseguem entender como ela atuará dentro de sua organização em termos de gerenciamento, infraestrutura etc. Essa é umas questão que devemos sanar conforme vamos tendo contato com os clientes e explicando a eles que há diferentes maneiras de pensar sobre isso. Minha sensação é que a nuvem é hoje o que a virtualização era há quatro ou cinco anos. Estamos prestes a ver o mesmo ciclo se repetir”.

 

3. Sobre o lançamento da infraestrutura de Cloud da VMware

“A jornada é em busca de permitir que os clientes possam criar um grande pool de infraestrutura e jogar aplicativos nela. Assim, eles estarão alocados e poderão se movimentar. Os clientes se preocupam com as aplicações e não com a infraestrutura”.

“Em certo sentido, esta infraestrutura de nuvem é o novo hardware. Este esforço enorme não é para os fracos de coração. No final do dia, se a nuvem se tornar o novo hardware, as pessoas vão querer tê-lo no trabalho”.

 

4. Sobre a estratégia de nuvem híbrida da VMware

“Nós precisamos de uma opção para que os clientes possam comprar a infraestrutura em uma base de aluguel. Precisamos de flexibilidade para ter aplicações em uma nuvem privada e poder jogá-las em uma pública. Para certificar de que se torne uma decisão de negócios, você precisa trabalhar com uma comunidade de provedores de soluções, pois assim você consegue deslocar as informações da mesma maneira de como era feita no PC”

“Nos dois últimos anos, a VMware tem trabalhado de perto com a comunidade de provedores de soluções para permitir funções complementares aos clientes que optarem pela nuvem privada. A VMware tem 2 mil prestadores de serviços para transações fora do VSPP (VMware Service Provider Program)”

5. Sobre a Cloud Foundry PaaS

“O que também estamos tentando fazer para as novas aplicações é fazer com que elas possam rodar bem no ambiente vSphere. Queremos também ser capazes de ganhar dinheiro com a venda de novos recursos para desenvolvedores nestas aplicações. Especificamente, estamos mirando pessoas que estão desenhando novos aplicativos sob novas formas de programações, como Spring Ruby, Node.js, et Cetera”

“Nossa visão é que há uma nova geração de desenvolvedores que irão construir a nova geração de aplicativos, e estamos tentando acomodá-los na nossa plataforma, assim como a oportunidade de negócios. O desenvolvedor é o segundo nível do que temos feito com o Cloud Foundry.

6. Sobre a importância do vCenter Management

“As pessoas querem a infraestrutura organizada apenas para manter suas coisas funcionando. Isso significa que temos que lidar com ela em um nível em que  ela se torne uma utilidade garantida. Conforme são criadas grandes pools, os responsáveis pela infraestrutura saberão menos sobre ela. Não podemos mais gerenciar os dados em uma única base. Você precisa de uma nova maneira de saber se a infraestrutura continua saudável”.

7. Sobre a estratégia da VMware para SMBs

“SMBs são para quem criamos produtos como o vSphere Essentials e jogamos os preços para baixo, exatamente para atender este setor. E nós temos visto um crescimento muito dramático neste nicho”.

8. Sobre a virtualização de dispositivos móveis

“A vantagem da virtualização é que ele fornece um firewall permanente. O problema é que quando você está colocando tudo em um dispositivo, e os usuários estão instalando aplicativos de fontes desconhecidas, é muito difícil para as empresas ter certeza de que seu mundo não está sendo infectado por mundo pessoal do consumidor. E a virtualização é um firewall muito forte para essas duas coisas. É por isso que as pessoas estão interessadas nisso”

9. Sobre automação na nuvem

“Os clientes já não estão usando nosso software para consolidação de servidores; a coisa agora é como eles farão para que sua navegação ganhe confiabilidade, disponibilidade e eficiência adicional, e todas essas coisas devem estar dentro dos produtos”

10. Sobre a relação VMware-Microsoft

“Nossos clientes têm uma grande quantidade de produtos da Microsoft, e os nossos produtos têm que trabalhar em conjunto com os produtos deles nesses ambientes. Ambas as organizações, a Microsoft e a VMware, são maduras o suficiente para saber que isso tem de acontecer, e nenhum de nós vai ficar bem se fizermos coisas que impeçam a interoperabilidade que os clientes querem”

“Nós competimos ferozmente com a Microsoft, mas isso não é um feudo de sangue. É uma verdadeira concorrência, percebendo que você tem que ser regida pelo fato de que os clientes não aceitarão não passar informações entre os produtos das duas companhias”.